terça-feira, 15 de março de 2011

Censos 2011 [ com um comentário...]



Pedem aos falsos recibos verdes para se identificar como trabalhadores por conta de outrem. Participar numa FRAUDE para beneficar as estatisticas a favor do Governo? Não obrigado!
Manifestem-se e reclamem enviando uma mensagem de correio electrónico para o seguinte endereço: censos@ine.pt
Passem a mensagem pelos vossos contactos. Muitos não sabem e vão fazer o que lhes é pedido pelo recenseador. Estas estatisticas são importantes para as medidas a tomar durante os próximos 10 anos. Então, que sejam o mais verdadeiras possivel.


Recebido via facebook

Coloco a mensagem aqui porque a situação é de facto muito grave.
Como fui informado, " é agora taxado a 29% e sem direito a baixa, desemprego ou maternidade"

Ora, se não dá direito a subsídio de desemprego, isto é quase equivalente a ele. A única diferença é que a pessoa faz qualquer coisa "para se entreter".
Mas a melhor descrição é "Emprego" PRECÁRIO.

domingo, 13 de março de 2011

Geração à Rasca; Demissão dos políticos; ...


Assim, pelo título, que normalmente deve ser a última coisa a escrever, é óbvio do que vou falar. Mas vou começar pelo fim.
Infelizmente não conseguimos viver sem políticos, mas é bem claro e óbvio que a actual classe política está podre.
Vou a recordar aquele senhor deputado, que só posso chamar de idiota que na semana em que José Sócrates anuncia medidas de austeridade, vem para a comunicação social pedir que abram a cantina da Assembleia da República porque 60€ diários para despesas de representação "não dão para tudo".
O actual estado de país deve ser visto como um atestado de incompetência à actual classe política, mas também ser motivo de reflexão para quem os elegeu. Quem votou na incompetência tem parte da culpa no problema.
"Cada povo tem os governantes que merece" dizem alguns.

O grande problema da democracia é que nem sempre a maioria sabe o que é melhor para o país, e o problema de termos um governo escolhido por poucos é o de ser "arrogante" e também não ser garantido que esses poucos sabem o que é melhor para o país.

Estamos é todos de acordo numa coisa: Este país, como está é péssimo! Vivemos num jogo para enganar e dar estatísticas enganosas. Onde somos enganados (consciente ou inconscientemente) pelos governantes, que mudam de opinião como quem muda de cuecas, e que apesar de alguns estarem de facto a dar o seu melhor, outros apenas estão a trabalhar para as aparências.

Deixem quem de facto é português trabalhar. Que se demita quem usa o cargo apenas para as aparências.
Portugal precisa de portugueses a sério.

No protesto de Sábado passado tentaram juntar o protesto da Geração à Rasca (com o qual me identifico) com um movimento anarquista de "demissão de todos os políticos".
Ora, não misturem as coisas . A demissão da classe política deve ser bem ponderada.
Falar é fácil, mas precisamos de ordem neste país! Que venha uma nova mentalidade para o povo e para os políticos!

Geração à rasca.
Neste país tem-se assistido à sabotagem do futuro de muitos jovens, e já de alguns adultos, por vezes até inconscientemente. Estamos num país onde a corrupção, o bulying no local de trabalho (como vai a vossa memória caros ex-colegas?), os jogos de poder e de interesses, a manipulação e a irresponsabilidade têm lugar muito frequentemente.
Processos como o processo casa pia, descredibilizaram a justiça e deixam muitas dúvidas sobre a culpabilidade de alguns condenados e alguns inocentados.
Más decisões fizeram com que pessoas com consideráveis habilitações literárias estejam sujeitas a salários de 500€ ou trabalhar fora da sua área. Recibos verdes, estágios não renumerados, "flexisegurança", e a lista continua...
As pessoas merecem melhor.
As pessoas não são um brinquedo!
Esta geração está "à rasca", e não é por meia dúzia de pseudo-intelectuais que não sentem na pele o que se passa darem uma opinião contrária e muito bem dita que têm razão.
Não são eles que estão a ser "lixados com f" sem terem culpa das "más decisões de cima".

Ou por exemplo de eu ir a uma entrevista para um emprego e receber dias depois em casa uma carta a dizer que "não tenho perfil para o lugar"
Ou uma pessoa estar tão desesperada para pagar contas que apesar de todas as suas habilitações tenta trabalhar a vender roupa... e não a aceitam (este exemplo está bem descrito no jornal "mundo universitário" numa edição recente).
Chegou a altura de dizer BASTA!
ESTA GERAÇÃO ESTÁ MESMO À RASCA!

Esta mensagem estava agendada para amanhã, mas eu decidi (a tempo) não "sujar" o dia do pi com as mediocridades de uma coisa estranha chamada humanidade!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Contagem decrescente...

A bem ou a mal, tenho de acabar o mestrado neste ano. Se não despachar a tese, de acordo com o regulamento dos mestrado, fico com uma "pós-graduação"...
Confesso que depois dos últimos 5 anos, uma pós-graduação é algo que sabe a pouco.
Mas a análise que faço também me diz que tendo todos os factores em conta, tem tudo corrido o melhor possível...

[Por favor, não queiram saber como poderia ter corrido pior... porque eu sei mesmo como, e não digam que podia correr melhor, porque garanto que se pudesse, tinha corrido!]
A situação já é financeiramente incomportável...
E a minha saúde, ...vamos supor que está a 100% e ignorar sintomas. O trabalho tem de ser feito.

Esperemos que o Scratchy e o meu cérebro colaborem..

domingo, 6 de março de 2011

CarlosPaulices no século XXI... O Banner

Desde que renomeei este blog para "CarlosPaulices no século XXI" o banner do blog passou a ter uma USS Enterprise, e dois fractais: O Fractal de Newton associado à equação Z^3-1=0, e o conjunto de Mandelbrot.
Quem quiser ver mais fractais "meus" pode visitar a minha galeria de fractais no deviantArt.
A razão dos fractais é simples: quem me conhece desde há um mínimo de 100 anos sabe que eu sempre gostei de Matemática, e os fractais são simplesmente uma das coisas que nos deu a Matemática no século XX, mas que só no fim do século XX e agora, princípios do século XXI é que está acessível a toda a gente, graças ao poder computacional dos processadores actuais.
De acordo com a "mitologia" Star Trek, é no século XXI (mais específicamente a 5 de Abril de, 2063) que a humanidade ultrapassará a barreira da velocidade da luz, com o conceito de "Velocidade Warp".
Portanto, de acordo com "Star Trek" é neste século que se dará o primeiro grande passo na direcção de naves como a USS Enterprise (que, para quem conhece a série, é uma nave do século XXIII).

Só a 31 de Dezembro de 2099 se poderá falar da fiabilidade destas previsões.
Se eu acredito piamente no dia 5 de Abril de 2063?
Eu acreditei piamente que em 2008 eu já seria mestre, e antes disso, que em 2006 eu já teria doutoramento.
Eu também acreditei que a UMa e a fcul fossem lugares sérios...
Neste momento eu simplesmente "deixo andar"...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Do jeitinho que és (Ispantosa)












Este vídeo está alojado no site da rádio comercial, a quem tenho a agradecer a boa disposição que me dá todas as manhãs, e coisas como esta música

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O lugar dos maus

Recentemente numa boa sebenta de Análise Funcional, encontrei uma coisa classificada como "Teorema do Homomorfismo Algébrico", que não é mais do que o teorema do homomorfismo das cadeiras de Álgebra e de algumas cadeiras de Álgebra linear.
Em Álgebra linear um morfismo de espaços vectoriais (ou um morfismo de módulos sobre aneis) é simplesmente uma aplicação linear.
É um teorema bem poderoso em todas as suas vertentes, e por isso estudado nessas cadeiras.

Nos meus (maus) anos pela fcul, para demonstrar a forma mais geral que conheço da fórmula de Green, recorri a esse teorema.

[Sim, a demonstração disso era para entregar... há professores sem a mínima noção da realidade e que são capazes de fazer uma dessas a alguém, que, como eu não conhecia o Operador traço, que também merece algum destaque nessa fórmula]

Como era bem típico nessa cadeira, o trabalho era bem duro porque para poder resolver esse "simples" exercício eu tinha de recorrer a livros e aprender conceitos que eu nunca tinha estudado... (É isto que entendem por bolonhês?)
Mas o caso do teorema do homomorfismo... era-me bem familiar!

Quando recebi o trabalho, estava cheio de riscos e comentários
(Um dos quais a acusação ridícula de estar a confundir a notação <.,.> usual em análise funcional com um mero produto escalar... será que ela sabia que o Haim Brézis chama-me mesmo "produto escalar na dualidade"?)

Mas aquilo que me chocou mesmo mais, foi a afirmação

"Deve-se utilizar teoremas de análise funcional e não de álgebra".


(Sim, eu acredito que qualquer matemático ao ler isto pense que ou que eu sou mesmo burro e que ainda não percebi o recado ou então que algo de mal se passe...garanto que é a 2ª hipótese!)

Essa foi das frases que mais me custou a digerir na minha vida, ainda mais vinda de alguém a leccionar num mestrado!
(Vamos lá ver, eu poderia de facto estar a confundir Dual Topológico com Dual Algébrico, ou qualquer disparate bem crasso porque aquele tipo de trabalhos levava a disparates desses, MAS NÃO ERA O CASO)

Qualquer dia dizem-me que não posso utilizar matrizes em Análise Matemática, porque se usam em Álgebra Linear não?

Em Matemática, usa-se TUDO o que se consegue usar e é útil! Quem acha que não, está a travar a evolução do conhecimento, e nem merece ser chamado de cientista, quanto mais de matemático!

O lugar dos maus é fora do ensino, até se tornarem bons!

Este caso particular não foi caso único, mas compreendam que há coisas que não gosto de recordar. Só peço que sejam tomadas medidas para que coisas destas não voltem a acontecer.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Matemática é bela... Não dêm cabo dela.

Muitas vezes sinto vontade de apontar canhões a certas pessoas e instituições pelo insucesso e má fama da Matemática em Portugal.
E como não nasci ontem e já vários idiotas (desculpem-me lá, vou chamar os bois pelos nomes) me complicaram a vida, e eu tenho PROVAS disso, vou escrever um pequeno texto sobre as aulas de Matemática.
Hoje decidi por um dedo numa ferida que já está infectada, cheia de porcarias e a cheirar mal.
Como todo o não analfabeto, já fui aluno (e voltei a sê-lo) e já fui professor (será que um dia voltarei a sê-lo?).
Salvo alguns casos patológicos os grandes problemas da má fama da Matemática devem-se a:
- forma de exposição
- a más aulas/exposições
- falta de bases dos alunos (...)
Vou deixar os casos patológicos para uma próxima ocasião.

Forma de exposição:
A exposição de uma ideia, conceito, técnica, resultado ou algoritmo deve ser simples, nunca esquecendo que em geral estamos a expor para alguém com um background diferente do nosso.
E para minimizar gafes ou gralhas todas as aulas DEVEM ser preparadas com antecedência.
O improviso só é bom em pessoas com uma cultura Matemática bem grande, mas mesmo assim, essas pessoas normalmente são inteligentes o suficiente para preparar as exposições, até dar aulas geniais, e não têm problemas em recorrer a uma cábula para não se perderem.

Mau exemplo1: Numa certa faculdade de uma certa universidade, um dia um professor quis dar um exemplo de uma equação diferencial que modelava os cabos de uma ponte suspensa.
Começou a tentar deduzir. Perdeu-se. Transformou o exemplo no exemplo de um estendal. Mesmo assim não conseguiu, e no fim simplesmente escreveu uma equação diferencial genérica.

Até a Wikipédia tem várias possíveis abordagens ao problema relativamente bem explicadas!
(http://en.wikipedia.org/wiki/Catenary)

Mau exemplo2: Numa certa universidade, numa certa cadeira de Matemática, o professor dava aulas passando e lendo os acetatos, e não fazendo nenhum nas aulas práticas.
...
!!! Se a ideia é ler, dêem-me o material que garanto que leio em casa.

Más aulas
Aqui... as más aulas têm de repartir as culpas entre professores e alunos.
Um aula pode ser má por não ter sido preparada, por não haver condições na sala (fisicamente), ou simplesmente porque os alunos não deixam haver qualidade.

Uma aula onde os alunos estão mais preocupados em conversar sobre o reality show do dia anterior ou sobre a foto do facebook que um zé qualquer colocou, não lhes rende nada, por melhor que seja o professor. No entanto, como a autoridade está sobre o professor, este consegue fazer da aula o que lhe apetecer usando as ferramentas que tiver à mão.

Uma aula em que o professor simplesmente copia de um suporte papel para o quadro, ou apenas lê acetatos também não é uma aula minimamente interessante.
No segundo caso, proponho que o professor tenha sentido de humor e dê piadas originais aos acetatos...

Uma boa aula de Matemática deve ter sempre uma dose de humor, de rigor e conseguir tornar interessante o mais estranho conceito.
O aluno pode ter motivação, mas o professor tem de fazer os possíveis por mantê-la, e se possível aumentá-la!
Os alunos devem trabalhar em casa sim, mas UMA AULA ONDE NÃO SE APRENDE NADA é um desperdício de tempo, e nesse caso mais vale ficar em casa (e falo por experiência própria: já tive cadeiras onde a melhor nota foi a minha e não apareci a 50% das aulas)!

Falta de bases
As faltas de bases dos alunos devem-se a muitos factores:
Falta de estudo ou de interesse dos próprios,
Professores que nos anos anteriores não cumpriram programas (isto devia ser considerado crime)
Falta de trabalho por parte dos alunos (há muitos motivos para isto, não vou desenvolvê-los hoje)
Desadequação da formação académica anterior (Exemplo: alunos de Matemática B a chegar ao ensino superior a cursos de Ciências e Engenharias)
...
Contornos aberrantes.
Como forma de combater o insucesso, alguns professores tornaram OBRIGATÓRIA a presença nas aulas, não admitindo a exame quem faltou a 25% ou 33% das aulas.
Ora...Isto é tremendamente estúpido. A menos que essas aulas sejam laboratoriais, tal imposição é mesmo aberrante. Se as aulas são más, é claro que os alunos vão faltar.
A melhor forma em casos de insucesso é começar por ouvir os alunos e tentar perceber onde está a dificuldade, e nas aulas fazer o possível por combater futuras ocorrências dessas dificuldades.
Tornar as aulas obrigatórias é sinal de mediocridade!
Notável excepção: se são muito poucos alunos, então sim, as aulas devem ser obrigatórias por forma a evitar que o professor acabe a falar para o boneco. Mas nesse caso, o professor deve perceber o recado e conversar com os alunos.
REPITO: conversar com os alunos.

Especificidades da Matemática.
A (boa) Matemática obriga a raciocinar, e regra geral as pessoas são preguiçosas a raciocinar.
Um bom professor deve incentivar ao raciocínio e qualquer aluno (desde o pior ao senhor perfeição) devem esforçar-se por utilizar a cabeça ... para o assunto [e não para formas de cometer fraudes na avaliação]
O raciocínio é o que nos distingue dos outros animais, e que nos tornou na espécie dominante neste planeta. Contrariamente ao voto, que por vezes não muda nada, o raciocínio lógico-matemático é responsável pelas mais belas criações do espírito humano.

Há professores que simplesmente papagueiam resultados e demonstrações, mas são incapazes de fazer os alunos utilizar esses resultados, enferrujando as mentes desses alunos.
Isto também DEVE ser crime.
Errar é humano. Um professor que se engane não deve insistir no erro, e corrigir-se sem medo disso.
[Sim, já tive cromos a disparatar à minha frente e insistiram no erro, mesmo com um contra exemplo à frente... EM MATEMÁTICA]
O professor, sim deve ser o possuidor de maior conhecimento na sala, mas nunca assumir "Estes gajos são uma cambada de burros" e com base nesse preconceituoso pensamento ser severo ao avaliar.
Aqui eu tenho alguns (vários?) maus exemplos, mas são demasiado específicos que só conto pessoalmente a quem mos perguntar.

É justo que se diga: Nenhum dos maus exemplos que apresentei aqui pertence à FCTUNL da universidade nova de Lisboa.
Mas pertencem a outros sítios por onde andei.

Este texto apenas toca superficialmente em alguns problemas e é baseado na minha experiência pessoal, e poderá ter novos capítulos no futuro.

A Matemática é algo que quando é estudada por gosto é acessível. Façam as pessoas gostar dela! O problema da Matemática não é a Matemática: São as pessoas!

O cargo de professor é um cargo de responsabilidade e de ensino e não um cargo para alimentar o ego!

O posto de aluno deve ser encarado como uma profissão, com responsabilidade e NÃO como passatempo!

Continuações de boa Matemática para todos.
Este blog recusa-se a utilizar o Acordo Ortográfico de 1990