quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Se cada português consumir 100€ de produtos nacionais...

Li há pouco no facebook:
"Afirmam alguns economistas que,se cada português consumir 100€ de produtos nacionais (em vez de importados),a economia cresce acima de todas as estimativas e ainda cria 1 posto de trabalho em Portugal!
Ponham a mensagem a circular,nem que seja a 1 só pessoa, desde que circule. Quando for ao supermercado,dê preferência aos produtos de fabrico Português.
OS PRODUTOS PORTUGUESES COMEÇAM POR "560" NO CÓDIGO DE BARRAS."

A primeira pergunta óbvia é 100€ por que unidade de tempo?


Parece-me que desde que chegou a crise, só quem não é afectado por ela não olha primeiro para os preços.
Sinceramente, se tens um orçamento limitado, vais tentar maximizar o que podes comprar com ele, e estás-te nas tintas para a origem.
Há é que investigar porque é que a aberração preços nacionais mais altos existe e arranjar forma de inverter a situação, caso contrário esse apelo não passa de uma boa intenção, ou de apenas mais uma "mensagem em cadeia" (que normalmente morre em mim).

Eu já estou farto de mandar boas intenções para o inferno...
(Por algum motivo, "de boas intenções está o inferno cheio")
Cheguei a um ponto em que prefiro medidas realistas e que não venham de economistas que têm uma excelente visão teórica mas pouco realismo e pouca visão prática.

Mas, não tenho problemas em passar a mensagem, agora, como português e como matemático não acredito nem nela, nem na sua aplicabilidade.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pirataria informática: uma filha bastarda do capitalismo


Hoje em dia com uma pesquisa em qualquer motor de busca conseguimos encontrar e fazer o download de tudo: desde livros, músicas e vídeos à ultima versão de um qualquer software proprietário.
O grande problema chama-se "direitos de autor". Se existem coisas completamente gratuitas como as que eu disponibilizo no meu site ou na minha skydrive, outras estão a ser distribuídas sem o consentimento expresso do seu autor.
Se alguns desses autores precisam dos direitos de autor para viver, outros nem por isso.
Vou pegar apenas no casos das séries televisivas.
Semanalmente são descarregadas centenas de séries de TV recorrendo a várias formas de download. À custa disso algumas séries perdem audiências oficiais e são canceladas. Será que séries como Star Trek: Enterprise, Caprica ou Stargate Universe teriam sido canceladas se ás audiências oficiais se adicionassem os downloads semanais?
As pessoas "sacam" episódios porque querem estar actualizadas, porque as séries não passam nos canais de TV a que têm acesso ou simplesmente passam a horas em que não podem ver, e não têm como as gravar.
As 3 séries que especifiquei nunca passaram nos 6 canais livres que temos em Portugal [RTP-Madeira,RTP-Açores,RTP-1,RTP-2, SIC,TVI]
Por outro lado, há séries que nunca foram afectadas pela pirataria. e até são vendidas em packs de DVD's.
Mas ...quem é que vai comprar um pack de dvd's quando pode sacar a série e meter tudo numa pen, ou num disco rígido que ocupa menos espaço? Quem é que está disposto a pagar bem caro por uma coisa que encontra de forma gratuita na internet?
O mesmo problema se passa com os filmes. Já viram quanto custa o DVD ou o Bluray de um filme? Que ainda por cima dali a 2/3 anos (ou menos) será passado na TV e que nessa altura pode ser gravado [por quem tiver como o fazer] ?
Regra geral as séries que se encontram disponíveis para download, são gravadas por alguém que apenas gravou o episódio quando passou e decidiu partilhar. Mas depois de saírem para DVD, há sempre alguém que copia do DVD, com isso violando explicitamente os direitos de autor e sem poder sequer alegar desconhecimento de causa.

Eu sou a favor dos downloads gratuitos porque é impossível a uma pessoa pagar tudo. Mas também defendo que as pessoas devem ser pagas pelo que produzem...
3 anos de prisão para uma pessoa que distribui sem tirar ou gerar lucro parece-me um castigo desumano. Os tempos mudaram. A tecnologia mudou. Se calhar o capitalismo é algo que tem de ser totalmente repensado, visto que só nos trouxe pobres, ricos, burlões, vigaristas, e crises. Precisamos de um novo sistema.
A pirataria está a lesar muita gente... mas sem ela alguma dessa gente nunca estaria em condições de ser lesada. A pirataria existe porque existe desigualdade social. Será justo condenar um pirata que apenas quer partilhar algo com alguém, sem lucrar com isso? Ou porque um autor que não tem dificuldades financeiras precisa de mais um luxo? Será que os prejuízos causados por ela estão a mandar pessoal para o desemprego?

Sim, a pirataria é um mal. Mas neste momento o grande culpado pela existência de pirataria chama-se capitalismo...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal


Pensei em escrever uma carta ao Pai Natal. Queria agradecer-lhe as prendas do ano passado, dar-lhe umas sugestões para prendas deste ano. Mas ontem li no facebook:

Dear kids, there is no Santa. Those presents are from your parents.
Love, WikiLeaks

Finalmente percebi porque é que os nossos governantes recebem prendas. O Pai Natal não é burro: Simplesmente não existe.
Deve ser a realidade mais cruel alguma vez partilhada pelo Wikileaks.
Eu ia pedir-lhe que levasse o Cálculo e troxesse de volta a Análise Matemática e a Álgebra Linear. Que nos permitisse recuar no tempo e impedir o nascimento da Matemática B no secundário.
Que levasse a crise, o processo de Bolonha e o ensino para as estatísticas...
Como estão a ver, não pediria nada para mim. Não seria egoísta.

Os meus pais não têm como me dar uma prenda destas... portanto tenho mesmo de me contentar com meias e camisolas... e a imaginação deles quando quiserem me surpreender.

Percebo agora porque é que todos os anos peço paz para o mundo e continuo a ter de repetir o pedido.

Vou passar o resto da vida a tentar aceitar este triste leak.
Antes pensava que o Pai Natal era simplesmente um gordo excêntrico que tinha um trenó voador puxado por renas voadoras. Que devia ser podre de rico para conseguir dar prendas a toda a gente, e a quem a crise nunca chegaria.

Maldito Wikileaks, maldito Facebook, e maldita internet!
Com este pensamento profundo, quero vos desejar a todos e às vossas famílias um feliz Natal, cheio de amor, prendas, carinho, calor, sem crises, com tudo de bom e todas as coisas boas que se costumam desejar nesta época.
Um Natal em que os sentimentos nobres do Pai Natal, apesar de não existir, estejam presentes.
Esta mensagem, se calhar não vale muito, se calhar vocês já sabiam e não quiseram me dizer para não ferir os meus sentimentos.
Não sei se vos deva agradecer ou não...
Mas valorizo muito a vossa amizade.
Feliz Natal!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Voo TP 1609 de 17 de Dezembro de 2010

Foi um voo Lisboa-Madeira, efectuado pela TAP tal como muitos que se fazem diariamente. Estava marcado para as 8h15m.Cheguei de madrugada ao aeroporto. Não tinha outra forma de garantir que chegava a tempo visto estar dependente de transportes públicos.
O voo começou a sofrer sucessivos atrasos até que ficou remarcado para as 9h30m sem que nunca me tivessem dado justificação para tal.
Mau tempo? Alguém acordou tarde?
Entrámos no avião, que partiu em direcção à Madeira. Passou cerca de hora e meia quando se ouve o comandante avisar que não era possível aterrar devido ao mau tempo.
O avião andou às voltas e passados 15-20 minutos fomos avisados de que o avião aterraria no Porto Santo. Não foi possível aterrar no Porto Santo, e regressámos a Lisboa.

A partir daqui foi o caos.

Lá pelas 13 horas, ao chegarmos a Lisboa deram-nos um “voucher” de 16 euros para a alimentação que só podia ser utilizado no aeroporto, e disseram-nos para aguardar informações.

Pouco depois, encontramo-nos com passageiros que iam num voo do Porto para a Madeira, que tiveram a mesma sorte e foram desviados para Lisboa.

Pelas 17 horas ninguém tinha informações e alguns passageiros eram bolas de ping pong nos balcões da TAP.

Estava eu na fila para o balcão de informações quando de repente noto imensa gente a se juntar, entre as quais algumas pessoas que reconheci do avião:

Uma funcionária da TAP que só falava baixinho começou a fazer a chamada dos passageiros...

[Certo...as informações devem ter sido só para alguns!]
Várias vezes interrompeu a chamada, saiu “para apanhar ar”, recebia telefonemas, perdia-se a conversar com outros passageiros... por várias vezes pediu 2 filas, uma para quem “queria ir amanhã”, e outra para “quem queria ir hoje”. (Claro... as pessoas marcaram voo para o dia 17 porque queriam ir no dia 18).
A ideia era meter os passageiros nos lugares vagos de outros aviões.

Estavam ali pessoas de pelo menos 2 voos.

Algumas pessoas simplesmente desapareceram. A chamada parou muitas vezes a meio e recomeçou, o que originou os protestos de algumas pessoas que nunca ouviram os seus nomes. Não esqueçamos que a funcionária falava baixinho e as pessoas podiam estar lá que não ouviam...

Outras estavam na fila para informações, e por isso nem faziam ideia do que se passava.

Em suma, a organização era péssima.

Algumas pessoas começaram a protestar. Alguém da TAP chamou a polícia para controlar a situação e acalmar os ânimos..

Ao fim do dia, lá pelas 20h00 acabaram as vagas para os voos do dia, e mais uma vez foi pedido que se fizessem duas filas: uma para quem queria ir para lista de espera, e outra para quem estava disposto a ir no dia seguinte.

Eu já estava tremendamente cansado e a precisar de um banho... decidi esperar pelo dia seguinte. Foi-me dado um bilhete, com a garantia de que o check-in já estava feito e que quando chegasse à Madeira, teria as minhas malas.

Mandaram-nos para o balcão de informações onde receberíamos um voucher para passar a noite num hotel.
Esperei cerca de 2 horas. Fui trocando mensagens no facebook e por sms.

Passei a noite no hotel, e no dia seguinte era o 1º na fila da porta de embarque. Fui barrado: havia qualquer coisa mal no bilhete (faltava um número).

Tentaram encontrar os meus dados no computador... Eu avisei-os de que haviam várias outras pessoas na fila na mesma situação que eu. Tentaram ligar para um responsável.

Disseram-lhes que tinha havido falha informática e por isso faltava o tal número... e fomos autorizados a embarcar.
Ao chegar à Madeira, ninguém tinha as suas malas!
Entregámos uma reclamação.

Até hoje ainda espero as minhas malas..

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Math Trek

Math Trek - these are the voyages of a Maths-Lunatic, in his non-continuous work to seek out for new Math forms and new calculations, to bodly go where everyone has gone before!

O que é que acham de eu utilizar esta assinatura nos meus emails todos? Mesmo dos sérios?

Os nomes dos bois...

"Põe sempre os nomes aos bois
Nas histórias que contares.
Ou logo os burros depois
Se queixam de os retratares:
«Mas são as minhas orelhas!
Este azurrar é o meu!
Se estas são minhas guedelhas!
Ai este burro sou eu!
Nâo me nomeie ele embora,
Toda a Pátria vai agora
Saber-me por burro, hin-hã!
Ai que eu, hin-hã, hin-hã!»
- Quiseste a um burro poupar
Logo doze hão-de zurrar."

[Heinrich Heine, in Bom Conselho, trad. Jorge de Sena]

Heinrich Heine [n. 13 Dezembro 1797 - 1856]
Tomei conhecimento do texto deste co-aniversariante no blog

De Rerum Natura

Se por príncipio eu gosto sempre que os bois tenham nome, às vezes não devem ter, porque vivemos numa altura em que abrir a boca, mesmo com razão pode ser perigoso. Fala-se em liberdade de expressão, mas quando se diz a verdade, mesmo com provas podemos ter problemas.
Por outro lado, há textos que são escritos com o objectivo de entreter, fazer rir ou satirizar mas burros que lêm um texto, identificam-se com o conteúdo e depois lixam a vida a quem os escreve. Mas se o texto não identifica o burro... porquê a arrogância de pensar que é o burro e não outro boi qualquer? O conjunto dos bois é singular? Se sim, a pensar no número de vacas que há por este mundo, o boi seria feliz ! [Era muito azar para a espécie que ele fosse gay!]

Será que devemos mesmo por nomes nos bois? Compreendo o autor... mas neste momento, aos bois que querem reconhecimento sugiro que criem um grupo "bois anónimos" e lutem pelos seus direitos.
Se o grupo for singular, o único membro desse grupo que largue a internet e vá cobrir vacas... a menos que seja gay ou esteja-se nas tintas para a espécie!
Este blog recusa-se a utilizar o Acordo Ortográfico de 1990